domingo, 23 de agosto de 2009

O rio


Banhou-se no rio das novidades em noite de lua cheia
Estava feliz, e como quem tirasse a roupa foi despindo uma a uma as vestes do passado
Estava feliz
Tudo era novo e tão estranho
Porém estava feliz
Era impossivel aos olhos de outrem, mas estava.
O rio em que banhara-se era um rio cheio de curvas e desníveis
E isso o deixava feliz embora tivesse apenas uma canoa e um remo
Fazia esforços para remar a tempos, mas nao conseguia achar o caminho do rio.
por um momento fechou os olhos e sentiu a brisa do vento em noite de lua cheia.
A liberdade o transtornava e isso o deixava feliz.
Estava cansado a tempos.
E o caminho do rio de tão novo desconhecido era.
Tela: Ilídio Salteiro. Óleo sobre tela, 141 x 100 cm. 1985.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A velha

Ela olhou sua face no espelho do butiquin e pensou: "Estou velha".

Com sua saia vermelha, foi até o balcão, onde havia um garçon, desses que servem como desabafos.
Ela nada disse.
Ele entenderá o que Elza, esse era seu nome, o que Elza estava sentindo e lhe serviu um cunhaque.

-Que dor na alma. Exclamou a velha.

Olhava de seu banquinho giratório desses de buteco as pessoas felizes com seus parceiros. E ela simplismente passou as mãos nos seus cabelos, ajeitou-os, pegou sua bolsa, e cambaleante foi embora.


Tela: a velha.- O.S.P  de Jorge di paula http://jorgedipaula.arteblog.com.br/405833/A-VELHA-O-S-P/

A corda..




A corda gira , gira , gira eu ai pego e puxo, e vem vc !!!

com seu calor , com sua saudade
a corda que puxo é tao forte que num arrebenta , pq a saudade é tanta !!
e teu calor é tao quente que dá

vontade de chorar!!

mas não choro, pq continuo a andar, andar e a puxar a corda da saudade que ta no coração....

O MENINO DE SAIAS


O menino de saias nao podia fazer mais nada,

E como todas as noites, esperava pelo encontro dos pagantes da esquina

Outrora lhe perguntram "O que vc quer da vida menino de saias"? ele simplismente respondera com uma pergunta:
"O que vida quer de mim"?
O Menino de saias, tinha nome, endereço, telefone, e quando passavam os onibus na esquina, simplismente zombavam dele dizendo : " Ó João tem jogo no domingo viu".
Não sabem nada sobre o menino de saias da esquina.
O menino de saias da esquina onde ficam os pagantes, se sente feliz, sabe todos os truques das ruas e sonha em conhecer o cinema.
Faz chuva, Sol , o menino de saias esta sempre lá, a espera.
Certo dia o depenaram não lhe deixando nada, espancado pelos garotos da zona Sul quase até a morte, muitos desses garotos zona sul vão pedir calor em noites gélidas ao menino de sais. E ele não nega.
E o menino de saias sonha, uma vez disse: quero cantar!
Nunca mais viram o menino de saias da esquina.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

O corpo




Um corpo caiu
Ao pensar em transgredir
Outro corpo pensou
Corpo pensa, o corpo pensou
Um outro observa
Os corpos que caem ao pensar em transgredir
A bailarina executa os passos do corpo observador,
Sem que esta tome conta,
Ao pensar que o corpo observador a observava
Ela passou de objeto olhado para olhante
E assim o corpo da bailarina caiu.
Ao pensar em transgredir

domingo, 9 de agosto de 2009

Confissão do tal desejo


É madrugada de lua cheia aqui na cela, as irmãs foram se deitar,

pois após nossa oração quando fazemos a ceia nos é dada a instrução de retirar-mos para nossas celas.

Sinto frio, as paredes de minha cela são tijolos do século XVI fazendo a cela ficar úmida e gelada, sinto um arrepio, pois meu corpo esta quente.

Sinto uma respiração ofegante vindo da outra cela, como se o corpo da irmã ao lado estivesse num tremor, como se a tentação a possuísse.

Pensamentos vem a tona. Então eu rezo.

E nao consigo evitar tais pensamentos, olha pela janela de minha cela, a lua parece me chamar. Rezo e me deito ao chão em penitência.

Estou suada, a respiração da irmã é de tal intesidade que penso em banhar-me.

Procuro meu terço me ajoelho.

Sinto meus cabelos molhados. rezo...

e cansada ...

adormeço .

DECIDIDO


Solteiro aos 39 anos

resolverá se casar,

cançara-se da vida de bórdeis

e sexos casuais...

DEPOIMENTO DA MULHER DESESPERADA II


Senti meu útero doer, quando minha cria se perdeu pra sempre na imensidão daquele hospital gelado e úmido
Apenas c
horei, por um instante me senti mulher, e noutro um graveto da caatinga, seco, duro, vazio, apenas o som dos urubus eu sentira e nada mais. Meu nome é Claudia, mas posso ser Luiza, tantos nomes, uma fuga de mim própria talvez. Perdeu a identidade dissera a médica no corredor do hospital escuro, fétido e gelado.
Minha identidade que gerava, e que se gerava para a vida realmente se perdeu. Não mais mulher, e isso é como a morte que vem galope, e onde o tempo custa a passar. Por isso escrevo, e pindaro toma conta de Claudia, de Luiza, para dar vida a vida alheia. Isso me conforta. Perdi minha identidade, e minha identidade se perdera.

sábado, 8 de agosto de 2009

Depoimento da Mulher desesperada


Chega um momento
que tudo o que você pensou que fosse
pra sempre, não foi.
Quando chega esse momento
é preciso fazer as malas desfeitas
E fazer um novo recomeço.
tudo o que você amava, não te ama mais
e males entendidos se estabelecem
fazendo você ser a pessoa menos desejável e menos atraente, menos tudo.
Quando chega esse momento, as tentativas já não dão certo.
Então é preciso Partir.
Fica apenas a saudade da saudade.
E preciso aprender a ser só

O Cais


Num pensamento repentino, ela descobrirá que gastará muito tempo de sua vida na janela, não aproveitando o sabor das marés da existência própria.
Ela via as marés passarem pela janela de sua sala úmida, e com medo não se atirava.
Joana não resistiu, alheia aos seus pensamentos lembrava de Veríssimo : " E eu que não chegarei aos 30, pelo menos não inteiro".
Joana aproveitou, apoio-se ao peitoril, subiu, e se atirou na maré que estava alta.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mário beijou-lhe as partes




E por falar em leitura erótica:
Deitada na cama, sentiu um tremor repentino, um frenesi, como nunca sentira antes. Mário acabara de acordá-la beijando-lhes as partes, nunca a beijara daquela forma, e num vai e vem, onde os lábios tocavam os lábios de Mário, a mulher sentiu algo. Como se sua alma transcendesse, e num grito, adormeceu feito um anjo.